Nova pesquisa sugere disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno em 2026.
Uma nova rodada de pesquisas realizada pelo instituto de pesquisa Quaest indica um acirramento dramático na ainda distante disputa presidencial brasileira de 2026. Divulgada na quarta-feira (15), a pesquisa nacional mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tecnicamente empatados em um hipotético segundo turno. Flávio aparece com 42% das intenções de voto, dois pontos percentuais à frente dos 40% de Lula — uma diferença que está dentro da margem de erro, mas que, mesmo assim, marca a primeira vez que o senador ultrapassa o atual presidente nesta série de pesquisas.
Primeira vantagem numérica para a campanha de Bolsonaro.
Desde que Quaest começou a testar cenários para 2026, Lula sempre liderou ou, na pior das hipóteses, dividiu a liderança. Em dezembro do ano passado, o presidente desfrutava de uma confortável vantagem de 10 pontos percentuais. A diferença diminuiu para sete pontos em janeiro, cinco em fevereiro e desapareceu completamente em março, quando ambos registraram 41% cada. A vantagem de dois pontos de Flávio em abril, mesmo que pequena, representa uma importante vitória psicológica para a ala conservadora que busca recriar o ambiente competitivo que caracterizou o segundo turno das eleições de 2022 entre Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Analistas alertam que qualquer leitura de números tão cedo no ciclo eleitoral deve ser ponderada com as ressalvas eleitorais usuais: faltam mais de dois anos para o início oficial da campanha, a atenção do eleitorado é baixa e grandes eventos políticos ou econômicos podem reverter as tendências iniciais. Ainda assim, o movimento destaca uma dinâmica que vale a pena acompanhar: a consolidação gradual de um eleitorado bolsonarista em torno de um único membro da família, após o ex-presidente ter sido considerado inelegível por decisão de um tribunal eleitoral.
Metodologia em resumo
- Instituto: Quest
- Encomendado por: Genial Investimentos
- Entrevistas: 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais
- Trabalho de campo: 9 a 13 de abril
- Margem de erro: ±2 pontos percentuais
- Nível de confiança: 95%
- Registro: Número TSE BR-09285/2026
O instituto utiliza entrevistas presenciais distribuídas por todas as regiões e ponderadas por idade, gênero, escolaridade, renda e localização geográfica para refletir o eleitorado. A consistência das divulgações periódicas — dezembro, janeiro, fevereiro, março e agora abril — permite aos observadores acompanhar as mudanças em vez de se basearem apenas em instantâneos isolados.
Os confrontos adicionais da segunda rodada mantêm Lula na liderança.
Flávio Bolsonaro não é o único desafiante testado. A Quaest também analisou outros quatro hipotéticos segundos turnos, cada um com Lula contra um potencial adversário diferente. Em todos eles, o presidente mantém uma vantagem de um dígito:
- Lula vs. Romeu Zema (Novo governor of Minas Gerais)
Lula 43 % | Zema 36 % | Undecided 4 % | Blank/null/non-voter 17 % - Lula vs. Ronaldo Caiado (PSD governor of Goiás)
Lula 43 % | Caiado 35 % | Undecided 4 % | Blank/null/non-voter 18 % - Lula vs. Renan Santos (Missão movement leader)
Lula 44 % | Santos 24 % | Undecided 5 % | Blank/null/non-voter 27 % - Lula vs. Augusto Cury (autor de best-sellers recentemente afiliado à Avante)
Lula 44% | Cury 23% | Indecisos 5% | Em branco/nulo/não votante 28%
A variação na margem de Lula ressalta dois fatores: reconhecimento de nome e apelo partidário. Os governadores Zema e Caiado possuem experiência executiva em grandes estados e, portanto, são mais competitivos; os menos conhecidos Santos e Cury estão vinte pontos ou mais atrás, indicando que a base de apoio do presidente permanece sólida quando confrontada com candidatos novatos.
A aprovação do governo mostra uma ligeira erosão.
Além dos números da corrida eleitoral, os entrevistados também foram solicitados a avaliar o governo atual. Segundo a Quaest, 52% desaprovam o governo de Lula, enquanto 43% o aprovam. Os 5% restantes não expressaram opinião. Esse equilíbrio tem oscilado nos últimos meses, mas, de modo geral, tem apresentado uma leve tendência de maior insatisfação, refletindo a diminuição da vantagem do presidente nos cenários eleitorais.
O aumento do custo de vida, as persistentes divergências com o Congresso sobre a política fiscal e o atrito entre o Executivo federal e diversos governadores são citados por cientistas políticos como fatores que contribuem para a queda de popularidade. A equipe de comunicação do presidente, por sua vez, aponta para os números recordes de criação de empregos e para os ambiciosos programas de obras públicas como argumentos de que a aprovação se recuperará assim que os projetos de longo prazo apresentarem resultados tangíveis.
Ansiedade de ambos os lados do espectro político.
Quaest incluiu uma bateria incomum de perguntas para medir os temores dos eleitores em relação ao futuro próximo. Quando questionados se temiam o retorno da família Bolsonaro ao poder, 43% responderam afirmativamente. Um percentual quase equivalente, de 42%, disse temer a permanência de Lula no cargo. Essas apreensões convergentes evidenciam a atmosfera polarizada que caracteriza a política brasileira desde 2018 e sugerem que a mobilização de seus apoiadores fiéis — tanto quanto a persuasão dos eleitores indecisos — será novamente decisiva em 2026.
A consultora política Maria Clara Torres argumenta que “ambos os lados operam agora sob alta tensão emocional. Cada lado representa, para seus adversários, não apenas um oponente, mas uma ameaça existencial. Essa percepção alimenta uma dinâmica na qual o partidarismo negativo pode desempenhar um papel ainda maior do que o entusiasmo positivo pela plataforma de um candidato”.
Será que Flávio conseguirá consolidar os votos da direita?
Antes de poder desafiar Lula no segundo turno, o senador carioca precisa primeiro garantir a indicação do Partido Conservador. Vários cenários complicam esse caminho:
- O ex-ministro Tarcísio de Freitas , agora governador de São Paulo, continua popular entre os líderes empresariais e pode atrair eleitores centristas que desconfiam da imagem de Bolsonaro.
- Romeu Zema e Ronaldo Caiado controlam estados-chave e construíram reputações como administradores pragmáticos.
- Obstáculos institucionais : A inelegibilidade de Jair Bolsonaro não o impede de atuar como um articulador político. Seu apoio pessoal terá um peso enorme, mas também poderá aumentar o índice de rejeição associado ao nome da família.
Por ora, o maior trunfo de Flávio é justamente a transferência de lealdade dos apoiadores de seu pai, aliada a um índice de rejeição pessoal menor do que o do ex-presidente. O desafio reside em transformar essa lealdade em uma coalizão mais ampla, capaz de competir no primeiro turno, onde um cenário fragmentado ainda pode permitir que Lula lidere com folga.

Imagem: Internet
A estratégia de Lula: defender, entregar resultados, diversificar.
Dentro do Palácio do Planalto, assessores destacam três pilares que orientam a postura do presidente antes da campanha:
- Defender programas sociais : Manter e divulgar iniciativas de bem-estar social, como o Bolsa Família, busca consolidar o apoio entre os eleitores de baixa renda, uma base tradicional de Lula.
- Entregar infraestrutura : Uma série de projetos de rodovias, habitação e energia verde está planejada para criar empregos e produzir cerimônias de inauguração ao longo de 2025.
- Diversificar alianças : As negociações com partidos centristas e de centro-direita visam reduzir a resistência no Congresso e ampliar o apelo de Lula para além da esquerda.
Resta saber se essas medidas serão suficientes para recuperar a iniciativa. Os próximos doze meses prometem debates acalorados sobre a reforma tributária, os limites de gastos e possíveis confrontos com o Banco Central — todos temas que podem influenciar a opinião pública muito antes do início formal da campanha eleitoral.
Olhando para o futuro
Tanto os apoiadores quanto os críticos do governo analisarão minuciosamente os novos números, mas uma realidade já é clara: a eleição de 2026 se configura como mais uma disputa acirrada, provavelmente travada em um terreno ideológico já conhecido. Embora uma única pesquisa não possa prever o resultado final, a trajetória traçada pela Quaest serve de alerta para o governo e de incentivo para a oposição.
Novas pesquisas de outros institutos — incluindo Datafolha, Ipec e Atlas — são esperadas nas próximas semanas. A comparação entre os dados permitirá determinar se a ascensão de Flávio é um caso isolado ou o início de um realinhamento mais amplo.
Perguntas frequentes
Qual é a principal conclusão da última pesquisa da Quaest?
A pesquisa mostra o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula da Silva tecnicamente empatados em um hipotético segundo turno em 2026, com Flávio registrando sua primeira vantagem numérica (42% a 40%).
Quão confiável é a pesquisa?
Com 2.004 entrevistados e uma margem de erro de ±2% com um nível de confiança de 95%, a pesquisa é metodologicamente sólida. Ainda assim, representa um retrato do momento, não uma previsão.
Lula ainda está à frente de outros potenciais rivais?
Sim. Quando confrontado com os veteranos Romeu Zema ou Ronaldo Caiado, ou com os estreantes Renan Santos e Augusto Cury, Lula mantém vantagens que variam de 7 a 20 pontos.
O que os índices de aprovação dizem sobre a situação atual de Lula?
O governo de Lula enfrenta 52% de desaprovação contra 43% de aprovação, indicando uma ligeira erosão no apoio que acompanha a redução de sua vantagem eleitoral.
Por que o medo influencia a pesquisa?
As perguntas sobre medo refletem o alto nível de polarização política: 43% dizem temer um retorno da família Bolsonaro ao poder, enquanto 42% temem a permanência de Lula no poder, ilustrando a desconfiança mútua entre os dois lados.


