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Dormir muito tarde aumenta em 16% o risco de infarto e AVC, aponta pesquisa britânica

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Virar a noite no celular pode custar caro ao coração. Um extenso estudo realizado no Reino Unido identificou que adultos que costumam adormecer na madrugada apresentam probabilidade 16% maior de sofrer infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) em comparação a quem tem horários de sono intermediários.

Quem participou da investigação

Pesquisadores da Universidade de Birmingham cruzaram informações de 310.385 voluntários inscritos no banco de dados UK Biobank. Os participantes tinham, em média, 57 anos na linha de base e foram acompanhados por cerca de 14 anos.

No questionário inicial, cada pessoa informou seu cronotipo — tendência natural de ficar mais produtiva pela manhã ou à noite. A partir dessas respostas, foram definidos três grupos:

  • Matutinos – preferência por deitar em torno de 21h;
  • Intermediários – horários considerados médios;
  • Vespertinos – sono iniciado por volta de 2h, conhecidos como “corujas”.

O grupo vespertino representou 8% da amostra total.

Principais achados do estudo

  • Risco relativo: corujas tiveram 16% mais chances de infarto ou AVC que os intermediários.
  • Índice de saúde cardiovascular: nos vespertinos, a probabilidade de pontuação considerada “ruim” foi 79% maior.
  • Efeito do estilo de vida: três quartos do risco adicional foram atribuídos a comportamentos como tabagismo, sedentarismo, dieta de baixa qualidade e horas de sono irregulares.
  • Diferença entre sexos: ir para a cama cedo trouxe leve proteção extra às mulheres, resultado que ainda carece de explicação definitiva.

Por que o relógio biológico interfere no coração?

Segundo os autores, dormir tarde em geral vem acompanhado de hábitos que desgastam o sistema cardiovascular. Fumar mais, beliscar alimentos gordurosos na madrugada, fazer menos exercício e acumular dívida de sono provocam aumento da pressão arterial, elevação do colesterol e pior controle da glicose. Ao longo dos anos, essa combinação favorece o endurecimento das artérias e a formação de coágulos.

Além disso, desalinhamento entre relógio biológico e rotina social gera inflamação crônica, outro gatilho para doenças cardíacas.

Como mitigar o perigo se você é uma “coruja”

Boa notícia: ter cronotipo vespertino não é sentença inevitável de infarto. Abaixo, estratégias listadas pelos pesquisadores:

  1. Estabelecer horário fixo: tentar adiantar o sono em 30 a 45 minutos e acordar sempre no mesmo horário, inclusive nos fins de semana.
  2. Controlar estímulos luminosos: expor-se à luz natural logo cedo e reduzir brilho de telas ao menos uma hora antes de deitar.
  3. Movimentar-se nos picos de energia: programar caminhada ou treino quando se sentir mais desperto, mesmo que seja à tarde.
  4. Ajustar a alimentação: fazer a última refeição principal até o começo da noite e optar por lanches leves se bater fome depois.
  5. Buscar ajuda para parar de fumar: evitar especialmente o cigarro noturno, período em que a compulsão costuma aumentar.

Entenda o número de 16% de forma prática

O aumento de 16% é relativo. Se 10 a cada 1 000 pessoas de cronotipo intermediário sofrem evento cardiovascular em determinado período, espera-se que 11,6 a cada 1 000 corujas tenham o mesmo desfecho. Parece pouco individualmente, mas, em escala populacional, corresponde a milhares de infartos e AVCs que poderiam ser prevenidos.

Mulheres merecem atenção redobrada

A pesquisa detectou disparidade maior entre mulheres que dormem cedo e tarde. Alterações hormonais na gravidez, perimenopausa ou menopausa já aumentam a vulnerabilidade do coração. Somar sono curto ou irregular a esse cenário potencializa o risco. Profissionais de saúde recomendam checar pressão arterial, colesterol e glicemia com regularidade, além de discutir qualidade do sono em consultas de rotina.

Comparação rápida: rotina típica x rotina ajustada

Comportamento Rotina coruja clássica Rotina coruja ajustada
Hora de dormir 2h00 0h15
Hora de acordar 6h30 7h15
Café da manhã Pula ou come doce Lanche proteico
Exercício Quase nunca 20 min de caminhada no almoço
Última refeição 21h30 19h30
Cigarro Fuma à noite Procura apoio para cessação

Pequenas alterações como as listadas já reduzem a sobrecarga cardiovascular sem obrigar a pessoa a se tornar matutina.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Ser vespertino é culpa minha?
Não. Cronotipo tem base genética e muda com idade e exposição à luz. O problema surge quando a preferência noturna conflita com horários fixos de trabalho ou estudo.

2. Posso compensar o sono perdido no fim de semana?
Até ajuda a aliviar o cansaço, mas não reverte completamente o impacto metabólico acumulado durante a semana.

3. Suplementar melatonina resolve?
Em alguns casos, pode auxiliar a adiantar o sono, mas deve ser indicado por profissional de saúde para evitar dose ou horário inadequados.

4. Trabalhar em home office protege o coração de quem é coruja?
Ter horários flexíveis reduz a privação de sono, mas a pessoa ainda precisa cuidar de dieta, atividade física e cessar o tabagismo para baixar o risco global.

Palavras-chave e variações usadas no texto

  • risco de infarto
  • problemas cardíacos
  • cronotipo vespertino
  • dormir tarde
  • saúde cardiovascular

O trabalho, publicado no fim de janeiro na revista da American Heart Association, reforça que horário de sono funciona como sinal de alerta: corujas precisam redobrar cuidados com estilo de vida para manter o coração protegido.

Com informações de 1805barber.com.br

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